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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Nem sempre percebemos, mas a verdade é que no nosso dia a dia convivemos com uma variedade muito grande de textos.

Ao sairmos às ruas nos deparamos com cartazes, painéis, panfletos. Em casa, assistimos a telejornais ou lemos jornais de nossa cidade, conversamos com nossos amigos pela Internet, consultamos o manual de instrução para manusearmos um brinquedo novo, e outros mais.
O mais importante de tudo isso é sabermos que não importa qual seja o tipo de texto, todos eles possuem uma finalidade, um objetivo.
Como por exemplo: o jornal serve para nos informar sobre os acontecimentos ligados à sociedade; o e-mail é uma fonte de contato que estabelecemos com amigos e familiares; o manual de instrução nos orienta sobre a maneira correta de utilizarmos um aparelho eletrônico, um videogame; o cartaz nos informa sobre o filme que está em exibição; o panfleto nos estimula a conhecer um novo produto vendido em uma loja; entre outras finalidades.
Então, essa variedade de textos que conhecemos denomina-se de “gêneros textuais”, pois cada um possui uma importância para nós. E o mais importante: Possuem características próprias quanto à linguagem e quanto à forma que os compõem.
Por exemplo, um anúncio possui uma linguagem com o objetivo de convencer, de estimular a compra de um determinado produto; uma reportagem é geralmente feita por uma linguagem clara, tentando fazer com que o leitor entenda perfeitamente o que se trata; uma receita de bolo nos ensina passo a passo sobre como realizar a tarefa.
O e-mail já possui uma linguagem reduzida, pois temos a oportunidade de conversar com várias pessoas ao mesmo tempo. 
Como você pôde perceber, há uma infinidade de textos, e eles se classificam de acordo com a sua finalidade. À medida que vamos ampliando nosso contato com a leitura, torna-se mais fácil identificá-los.
Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Escola Kids

Objetivos

Objetivos
- Identificar os principais gêneros que aparecem nos jornais: editorial, notícias e reportagens.
- Conhecer a organização de alguns jornais.
- Diferenciar reportagens de outros gêneros encontrados nos jornais.
- Localizar as informações principais numa reportagem.
- Relacionar as imagens e as legendas numa reportagem.
- Destacar as diferentes vozes numa reportagem.

Conteúdos específicos 
- Diferentes gêneros presentes no jornal.
- Cadernos dos jornais.
- Características das reportagens quanto a assuntos e linguagem.
- Papel das imagens e das legendas.
- Diferentes opiniões sobre o mesmo assunto.
- Identificação das vozes dentro da reportagem.

Anos 
Do 3º ao 5º ano.

Tempo estimado
Sete aulas de 50 minutos.

Material necessário 
Diferentes jornais, transparência e retroprojetor (ou computador com datashow), papel pardo e fita crepe.
Flexibilização para deficiência auditiva que faz leitura labial, com compreensão inicial de libras e em processo de alfabetização
Telejornal que tenha a tradução em libras
Desenvolvimento O jornal é um portador de diferentes gêneros: textos opinativos (editorial, cartas dos leitores, críticas), notícias, reportagens, dicas culturais, classificados etc. distribuídos em diferentes cadernos. Hoje, os alunos têm acesso a essa linguagem por diferentes formas, inclusive por meio dos telejornais. O trabalho com a leitura desses textos tem como objetivo conhecer essas linguagens para ter uma visão mais crítica do mundo.
O texto de reportagem, tema desta sequência, é feito com base em pesquisas, entrevistas, levantamento de dados e citações, entre outros recursos. Apresenta diferentes vozes sobre o mesmo assunto e tem linguagem objetiva, clara e baseada na variedade padrão da língua. Na reportagem, utilizam-se termos que não dão margem a diferentes interpretações. As citações entram entre aspas e as fontes são sempre identificadas. Variados, os assuntos das reportagens são todos aqueles que despertem interesse do leitor.

1ª etapa
O objetivo desta atividade é identificar o conhecimento que os alunos têm sobre a organização dos jornais. Apresente a seguinte situação: Uma pessoa precisa encontrar no jornal uma informação sobre um acidente de carro. Onde deve procurar? Observe as opiniões dos alunos. Traga para sala de aula diferentes jornais e entregue um exemplar para cada grupo. A primeira tarefa é fazer uma lista dos cadernos do jornal recebido. No fim da atividade, chame um estudante de cada equipe para colocar no quadro a lista dos cadernos encontrados e qual o tipo de assunto de que tratam. Peça que registrem as informações numa tabela com as seguintes colunas:

Nome do jornal
Cadernos encontrados
Tipo de assunto

Como lição de casa dê alguns assuntos para que coloquem em que caderno deveria aparecer. Exemplos: eleições para a prefeitura, aumento do dólar, time que venceu o jogo final do campeonato e filmes que estrearam no cinema no fim de semana.
Flexibilização para deficiência auditiva que faz leitura labial, com compreensão inicial de libras e em processo de alfabetização Agrupe o aluno a uma dupla para fazerem a busca no caderno. Acompanhe a leitura e vá indicando elementos mais representativos de cada caderno (por exemplo, foto do presidente no caderno de política, foto de filme no caderno de cultura).

2ª etapa
Apresente aos alunos três textos: uma notícia, uma carta de leitor e uma reportagem. Peça a leitura de cada um dos textos. Pergunte aos alunos as diferenças que percebem entre eles e quais os objetivos de cada um. Registre essas primeiras conclusões numa folha de papel craft. Chame a atenção para a reportagem. Se os alunos não souberem o nome desse tipo de texto, informe. Como lição da casa peça que tragam textos que julguem ser reportagens. 
Flexibilização para deficiência auditiva que faz leitura labial, com compreensão inicial de libras e em processo de alfabetização
Se o estudante ainda não tiver desenvoltura na leitura, proponha essa atividade sobre um gráfico de barras, peça que destaque algumas informações no gráfico e colete outros gráficos. Esse pedido pode ser feito a outros colegas para que haja parcerias de troca.

3ª etapa 
Organize a turma em grupos e peça que cada um apresente os textos trazidos. Retome o que foi registrado no papel craft sobre as reportagens. Cada equipe deve avaliar se os textos trazidos pelos colegas são reportagens de acordo com o que foi registrado no cartaz. No fim da atividade, solicite que os estudantes apresentem o que cada grupo discutiu. Amplie a lista de características da reportagem.
Flexibilização para deficiência auditiva que faz leitura labial, com compreensão inicial de libras e em processo de alfabetização Apresente ao grupo os gráficos que o aluno trouxe: ele é um recurso que também pode constar num jornal.

4ª etapa
Apresente uma reportagem em transparência ou copiada. Pergunte de qual caderno deve ter sido retirada. Você pode utilizar os jornais que circulam em sua cidade. Liste no quadro-negro as hipóteses dos alunos. Localize com eles no cabeçalho o nome do caderno e a data. Em seguida, peça que eles identifiquem os títulos, os subtítulos e as imagens.
Pergunte sobre o que consideram que a matéria tratará. Escreva no quadro-negro. Leia a reportagem junto com os alunos e chame a atenção para as diferentes opiniões que aparecem no texto. Chame a atenção também para o nome da jornalista responsável. Grife as vozes no texto e as informações contidas nele. Terminada a leitura, volte às hipóteses levantadas antes da leitura e veja quais se confirmaram. Discuta o que foi aprendido com a leitura e oriente todos a registrar no caderno. Como lição de casa peça que a turma traga outras reportagens.
Flexibilização para deficiência auditiva que faz leitura labial, com compreensão inicial de libras e em processo de alfabetização Procure ter uma fala pausada, mantenha-se de frente para o aluno.

5ª etapa
Retome a atividade da aula anterior e organize duplas. Elas devem ler as reportagens trazidas, completando um quadro com as seguintes colunas:

Título
Jornal
Caderno
Assunto abordado
Flexibilização para deficiência auditiva que faz leitura labial, com compreensão inicial de libras e em processo de alfabetização O aluno deve fazer o mesmo com seus gráficos e junto aos colegas que também presquisaram gráficos.

6ª etapa
Proponha a leitura de outra reportagem. Terminada a tarefa, peça que registrem em outro quadro, com as seguintes colunas:

Título da reportagem
Jornalista
Assunto principal
Quem foi consultado

No fim, faça a verificação coletiva das atividades. Muito mais do que buscar acertos ou erros é importante dar ênfase aos procedimentos utilizados para encontrar as informações solicitadas. Como lição de casa, os estudantes devem fazer o mesmo com outra reportagem. Sugestão: você pode criar um banco com as reportagens trazidas pela garotada. Use uma caixa para arquivá-las.

Avaliação 
Avalie o desempenho dos alunos de acordo com os seguintes indicadores:
- Identifica diferentes textos publicados nos jornais.
- Reconhece características estudadas nas reportagens.
- Identifica as ideias centrais nas reportagens lidas.
- Identifica as diferentes vozes nas reportagens.
- Trouxe os materiais solicitados.
Por Ana Paula de Araújo
A função do jornal  é basicamente a comunicação. É um dos meios mais rápidos de ficarmos informados a respeito do que acontece no mundo. Dentro do jornal há várias sessões, que por sua vez abrigam vários tipos de texto. Há algumas características que são comuns a todos estes textos, enquanto há outras que servem para individualizá-los.
A nomenclatura dos textos normalmente é dada de acordo com as suas características e seus objetivos específicos de comunicação. Genericamente chamamos os textos que se apresentam nos jornais de “matéria”. Normalmente esses textos têm caráter informativo. As informações são apresentadas em ordem decrescente de importância ou relevância, seguindo assim o uma técnica chamada pirâmide invertida. Ou seja, a base do texto (conteúdo mais importante) fica em cima e o ápice (conteúdo mais superficial) embaixo.
O primeiro parágrafo do texto é chamado de “lide” ou “lead” (inglês) e carrega o conteúdo mais denso da matéria, as principais informações. Esse recurso é usado para que as pessoas possam ter acesso fácil e rápido à informação e tenham a oportunidade de selecionar as matérias que realmente lhes interessam para prosseguir com a leitura. Geralmente o título da matéria é baseado no lide.
Vejamos alguns dos mais característicos tipos de textos jornalísticos e suas principais características:
Notícia: Caracteriza-se pela linguagem direta e formal. Tem caráter informativo e é escrito de forma impessoal, freqüentemente fazendo uso da terceira pessoa. Inicia-se com o lide e se segue com o corpo da notícia. Enquanto na primeira parte estão registradas as principais informações do fato, no corpo do texto estão presentes os detalhes (relevantes ou não), as causas e as conseqüências dos fatos, como, onde e com quem aconteceu, e a sua possível repercussão na vida das pessoas que estão lendo. Pode ter ou não um público alvo (jovens, políticos, idosos, famílias), caso tenha a linguagem poderá ser adaptada para o melhor entendimento.
Editorial: Não é exatamente um tipo de texto, mas uma sessão do jornal que possui textos selecionados e agrupados através de seu conteúdo, público ou objetivo. Os jornais são divididos em vários editoriais que podem ou não estar encadernados separadamente. Entre os editoriais mais comuns estão: Política, Economia, Cultura, Esporte, Turismo, País, Cidade, Classificados, Coluna Social, etc.
Reportagem: Tem por essência a descrição e caracterização de eventos. Para isso a reportagem conta com algumas perguntas que, ao serem respondidas, formarão a estrutura da reportagem. Em Inglês chamamos as perguntas a seguir de WH Questions, e elas servem para melhor estruturar a reportagem: O quê?, Como?, Quando?, Onde?, Porquê?, Quem?.
Nota: Texto curto composto apenas pelo lide. Normalmente trata de algum assunto de fácil compreensão e assimilação e que seja do interesse do leitor. Algo que já tenha sido noticiado ou que não possui detalhes relevantes para serem descritos.
Além desses, há outros cuja estrutura é mais complexa e a ocorrência vai além-jornal, como a crônica, o artigo, etc.
Normalmente, o processo de produção de um texto jornalístico se divide em quatro fases: a pauta (escolha do assunto), a apuração (verificação dos fatos e de provas), a redação (organização das idéias transformando-as em texto) e a 

Plano de Aula sobre Crônicas e Notícia de Jornal:

Plano de Aula sobre Crônicas e Notícia de Jornal:

1) Objetivos:
            Passar aos alunos pela prática da leitura e escrita como  identificar os elementos estruturais e literários de uma crônica e notícia de jornal. E estudo de conteúdos de gramática a partir desses gêneros textuais.
            Se houver recursos na escola pode-se apresentar uma pintura ou vídeo de uma cena qualquer do cotidiano e pedir que os alunos componham a descrição e narração do fato em forma de crônica e em forma de notícia (texto jornalístico). E houver uma eleição das melhores a serem colocadas no mural da escola, e a que for mais votada receber um brinde, uma revista em quadrinhos ou medalha.
            Assistir vídeos que mostrem como funciona um jornal e um telejornal, e o que faz cada um de seus funcionários: redator, noticiarista, repórter, apresentador, arquivista-pesquisador, revisor, repórter-fotográfico, repórter-cinematográfico, diagramador; a diferença entre notícia, noticiário e reportagem, o que seja matéria editorial, manchete, manchetinha, ... E se possível visitar em excursão um jornal e um telejornal, pois: "é lento ensinar por teorias, mas breve e eficaz fazê-lo pelo exemplo" - Sêneca, filósofo romano do século I.

2) Metodologia:
            Inicialmente apresentar um texto curto de notícia e outro de crônica em cartaz letras grandes na lousa referindo-se a um mesmo acontecimento e mesmos personagens envolvidos.
            Informar as características de cada gênero e pedir que convertam a notícia em crônica e a crônica em notícia. Como tarefa para casa cada aluno recortar de jornal duas notícias e identificar as suas partes e as perguntas, elementos e respostas. Formarem grupos de cinco, escolherem uma crônica de autor consagrado da literatura brasileira para lerem em forma de jogral à frente da sala de aula.
 *
a) notícia1 (do inglês NEWS - North, East, West, South - as letras iniciais dos 4 pontos cardeais): é a comunicação ou informação de um fato, em geral fora da rotina costumeira de uma coletividade, empregando para buscá-lo e compô-la a técnica jornalística; o repórter caçando fatos interessantes e vendáveis do cotidiano procura responder a sete perguntas:
PERGUNTAS
ELEMENTOS
RESPOSTAS (DADOS)
QUEM?
Personagens
José da Silva e Ana, e o Arnaldo
QUÊ?
Fato
Suicidou-se o José da Silva, esposo de Ana
QUANDO?
Data
Ontem às 19:36 h, um dia frio, nublado, e triste
ONDE?
Local
Rua dos Desiludidos, 46 - Vila dos Cornos e Abandonados
COMO?
Modo
Um tiro no ouvido, bem ao segundo em que constatou a perfídia
POR QUÊ?
Motivo
Desconfiança de traição confirmada
PARA QUÊ?
Objetivo
Fugir da vergonha e da dor pela perda da amada infiel

            Para atrair a atenção do leitor a notícia deve apresentar certas qualidades: ser nova (o novo atrai mais a atenção), verdadeira (falsa notícia diminui a credibilidade, desacredita o noticiante perante o leitor), interessante (quando atrai o maior número possível de leitores), importante (quando agrada ou influi no comportamento de uma coletividade ou grupo de leitores).
            Tendo obtido os dados o jornalista compõe o texto da notícia em três partes:
            i) um título: este é o anúncio da notícia, resumidamente apresenta o principal do acontecimento a ser noticiado: SUICIDOU-SE ONTEM O COMERCIANTE JOSÉ AO VER A ESPOSA NOS BRAÇOS DE OUTRO.
            ii) cabeça ou lead: sumário do fato e o clímax da ocorrência não importando a ordem cronológica, pode escolher a resposta ao fato que lhe parecer melhor para a veiculação do comunicado noticioso:
            "Desconfiando que sua mulher, Ana Rosinha, o traía com um vizinho (o Arnaldão), José da Silvia, residente na Rua dos Desiludidos, 46, suicidou-se, ontem, com um tiro no ouvido."
            iii) corpo: é o desenvolvimento da cabeça ou lead esmiuçando os detalhes em ordem cronológica crescente, descrescente, ou em forma mista. Tanto aqui como na lead pode-se usar de veracidades sóbrias e claramente expressas ou de hipérboles ou exageros em relação ao fato e emoções relativas a ele de modo a transformar a mensagem límpida e objetiva num subjetivismo interpretativo sensacionalista. Ou seja, sereportagem expositiva limita-se à narração simples e objetiva do fato. Sendo interpretativa inclui maiores esclarecimentos para a melhor compreensão do assunto. E se for opinativa além de expor a notícia e interpretá-la nas suas características procurará subjetivamente opinar, orientar e dirigir a opinião do leitor ou do público, neste caso poderá descambar ao sensacionalismo ou adredemente movimentando a massa para uma idéia ou convicção ideológica.
            Exemplo: "Chegando em casa, estafado do seu dia operoso de trabalho, eram 18 horas e 26 minutos de ontem, o senhor José da Silva, segurança de uma fábrica de peças íntimas femininas, encontrou a esposa já banhada, perfumada e apressada a sair para o culto religioso. Disse-lhe que a janta estava nas panelas para ser requentada no microondas e saiu dando-lhe um beijo ligeiro na face. José custou a crer na possibilidade da sua senhora estar-lhe sendo infiel, e chegou a pensar que a animação de Ana se devia ao fervor religioso e às amizades do grupo onde se reuniam. Porém, alguns bilhetes anônimos inculcavam a sua mente, resolveu apenas tomar um copo de leite e uns três biscoitos e foi-se ao encontro dela igualmente a assistir ao culto daquela noite, ontem, que se iniciaria às 19:30 horas numa travessa da rua de sua casa à altura do número 1259. Aproximando-se viu que ela e o vizinho conhecido como Arnaldão fugiam furtivamente do culto e se dirigiram para a rua dos Apaixonados onde havia a pouco tempo ali se instalado um motel para encontros fortuitos de enamorados. Seguiu-os, e antes que entrassem adentro ao prédio vermelho ilumado presenciou a cena que aos seus olhos em desespero marcou e quebrou algo como num estalo dentro de si. Em choque, transtornado, envergonhado do que diziam os vizinhos já a algum tempo de si, em dor pela perda de sua esposa que estava grávida de dois meses e não sabia mais se o filho era seu ou daquela relação pérfida, vendo-os beijarem-se em sorrisos de fogo de paixão e conversas de abrasamento pela antecipação do conluio copular e orgasmos mútuos, talvez até piadas de cornos estariam a contar entre si e sobre a sua pessoa achincalhada, resolveu, ali mesmo debochar da vida, sacou a arma metida à cintura, apontou ao ouvido direito, disparou. Ambos a não muita distância ouviram e correram ao ajuntamento de curiosos em torno ao cadáver caído àquela noite sem estrelas, nublada, e fria. Notaram satisfeitos o ocorrido. Com um sorriso leve despediram-se e já sonhavam com o casório em breve para uni-los a toda aquela vida. Todavia, com um dom de atriz fingiu-se de aflita, segundo uma testemunha ocular autora dos bilhetes anônimos, e encontrou lágrimas para persuasão oportuna e realização de projetos em a muito agasalhados e somente possíveis após livrar-se do incômodo marido por demais manso e sem ambições."

b) crônica2: segundo o volume 1 Para Gostar de Ler - Crônicas, editora Ática, "é um escrito de jornal que procura contar ou comentar histórias da vida de hoje. Histórias que podem ter acontecido com todo mundo: até com você mesmo, com pessoas de sua família ou com seus amigos. Mas uma coisa é acontecer, outra coisa é escrever aquilo que aconteceu. Então você notará, ao ler a narração do fato, como ele ganha um interesse especial, produzido pela escolha e pela arrumação das palavras. E aí começa a alegria da leitura". Entre os autores escolhidos, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Rubem Braga e Carlos Drummond de Andrade. Este, abaixo vai uma sua crônica literariamente jocosa transmitindo emoções no jogo das palavras e diálogos:

Depois do jantar

                                                                                  Carlos Drummond de Andrade

            Também, que idéia a sua: andar a pé, margeando a Lagoa Rodrigo de Freitas, depois do jantar.
            O vulto caminhava em sua direção, chegou bem perto, estacou à sua frente. Decerto ia pedir-lhe um auxílio.
            — Não tenho trocado. Mas tenho cigarros. Quer um?
            — Não fumo, respondeu o outro.
            Então ele queria é saber as horas. Levantou o antebraço esquerdo, consultou o relógio:
            — 9 e 17... 9 e 20, talvez. Andaram mexendo nele lá em casa.
            — Não estou querendo saber quantas horas são. Prefiro o relógio.
            — Como?
            — Já disse. Vai passando o relógio.
            — Mas ...
            — Quer que eu mesmo tire? Pode machucar.
            — Não. Eu tiro sozinho. Quer dizer... Estou meio sem jeito. Essa fivelinha enguiça quando menos se espera. Por favor, me ajude.
            O outro ajudou, a pulseira não era mesmo fácil de desatar. Afinal, o relógio mudou de dono.
            — Agora posso continuar?
            — Continuar o quê?
            — O passeio. Eu estava passeando, não viu?
            — Vi, sim. Espera um pouco.
            — Esperar o quê?
            — Passa a carteira.
            — Mas...
            — Quer que eu também ajude a tirar? Você não faz nada sozinho, nessa idade?
            — Não é isso. Eu pensava que o relógio fosse bastante. Não é um relógio qualquer, veja bem. Coisa fina.
Ainda não acabei de pagar...
            — E eu com isso? Então vou deixar o serviço pela metade?
            — Bom, eu tiro a carteira. Mas vamos fazer um trato.
            — Diga.
            — Tou com dois mil cruzeiros. Lhe dou mil e fico com mil.
            — Engraçadinho, hem? Desde quando o assaltante reparte com o assaltado o produto do assalto?
            — Mas você não se identificou como assaltante. Como é que eu podia saber?
            — É que eu não gosto de assustar. Sou contra isso de encostar o metal na testa do cara. Sou civilizado,
manja?
            — Por isso mesmo que é civilizado, você podia rachar comigo o dinheiro. Ele me faz falta, palavra de honra.
            — Pera aí. Se você acha que é preciso mostrar revólver, eu mostro.
            — Não precisa, não precisa.
            — Essa de rachar o legume... Pensa um pouco, amizade. Você está querendo me assaltar, e diz isso com a maior cara-de-pau.
            — Eu, assaltar?! Se o dinheiro é meu, então estou assaltando a mim mesmo.
            — Calma. Não baralha mais as coisas. Sou eu o assaltante, não sou?
            — Claro.
            — Você, o assaltado. Certo?
            — Confere.
            — Então deixa de poesia e passa pra cá os dois mil. Se é que são só dois mil.
            — Acha que eu minto? Olha aqui as quatro notas de quinhentos. Veja se tem mais dinheiro na carteira. Se achar uma nota de 10, de cinco cruzeiros, de um, tudo é seu. Quando eu confundi você com um, mendigo (desculpe, não reparei bem) e disse que não tinha trocado, é porque não tinha trocado mesmo.
            — Tá bom, não se discute.
            — Vamos, procure nos... nos escaninhos.
            — Sei lá o que é isso. Também não gosto de mexer nos guardados dos outros. Você me passa a carteira, ela fica sendo minha, aí eu mexo nela à vontade.
            — Deixe ao menos tirar os documentos?
            — Deixo. Pode até ficar com a carteira. Eu não coleciono. Mas rachar com você, isso de jeito nenhum. É contra as regras.
              Nem uma de quinhentos? Uma só.
              Nada. O mais que eu posso fazer é dar dinheiro pro ônibus. Mas nem isso você precisa. Pela pinta se vê que mora perto.
              Nem eu ia aceitar dinheiro de você.
            — Orgulhoso, hem? Fique sabendo que tenho ajudado muita gente neste mundo. Bom, tudo legal. Até outra vez. Mas antes, uma lembrancinha.
            Sacou da arma e deu-lhe um tiro no pé.
(Texto extraído do livro "Os dias lindos", Livraria José Olympio Editora — Rio de Janeiro, 1977, pág. 54.)
            Critérios de seleção do conteúdo ou textos: validade (de confiança, representativos, atualizados), utilidade ou intenção pragmática (aluno puder usá-lo no ambiente onde vive), significação (relacionado às experiências do aluno de modo a interessá-lo), viabilidade (dentro das limitações de tempo, recurso, e nível de compreensão da classe), possibilidade de elaboração pessoal (o próprio aluno ser capaz de avaliar e criticar o conteúdo), flexibilidade (estar sujeito a alterações conjunturais - de momento pedagógico).
            Organização do conteúdo: Um critério é mobilizar as melhores cabeças sobre a disciplina e começar pelos princípios básicos, as idéias fundamentais da matéria a ser ensinada e despertar interesse, mostrar que o assunto é valioso, utilizável pelo aluno em outras situações além da escola. Por esse critério, lógico, baseado na estrutura da própria matéria, selecionar e organizar o conteúdo seria função de um especialista e não de um professor, principalmente um iniciante, porém, o mestre lendo e estudando em várias fontes sobre o conteúdo a ensinar é de pensar-se que adquira essa capacidade de instrumentalizar-se para a seleção e organização do conteúdo a ser ministrado em sala de aula. Pois se tiver comunicação e desenvoltura à frente de alunos e não ter conteúdo ou material preparado, roteirizado a passar, será tão-só um artista fazendo um show teatral de representação professoral (em brincando de ensinar) e bem humorada oratória oca para divertir e manter a atenção de uma platéia a pensar que está aprendendo.
            Pelo critério psicológico o conteúdo seria disposto segundo o "nível de desenvolvimento intelectual ou cognitivo do aluno [Piaget, Freud, Vygotsky, Bandura] (...) e na ordem em que se realiza a experiência da criança"; primeiro [nível mais concreto-manipulativo, sensório-motor] aprende a fazer coisas, succionar o leite, caminhar, falar, comer com colher, brincar; segundo [pré-operatório, operatório-concreto], observando experiências alheias, por informação atrelada à sua atividade geral; terceiro [operatório-formal; aqui neste ponto aplicando o critério lógico de organização de conteúdos, acima nocionado, ensinagem mais racionalizada, sistemática], por enriquecimento e aprofundamento de conhecimentos já adquiridos".
            O desenvolvimento cognitivo de um jovem da 6a. série ou acima já está suficientmente maturado para o uso de critério lógico de organização de conteúdos, suavemente introduzido e indo a complexando (já encontra-se em nível abstrato-conceitual).
            Para Claudino Piletti, Didática Geral, Ática: primeiro "é preciso selecionar as informações e saber como e onde adquirir novas informações quando estas forem necessárias", e o "tipo de conteúdo, ou seja, o que é mais importante que o aluno conheça". (...) "Os objetivos é que devem dar uma direção aos conteúdos". (...) "Conteúdo não abrange apenas a organização do conhecimento [dados, fatos, conceitos, princípios, ...], mas também as experiências educativas no campo desse conhecimento [experiências que o aluno vivenciará na ensinagem].

3) Desenvolvimento ou roteiro de aula:
            (a ser desenvolvido pela mestra ou mestre conforme critérios e experiências pessoais)

I) conteúdos conceituais (“o que se deve saber?”): diferençar crônica de notícia de jornal.
 *
II) conteúdos procedimentais (“O que se deve saber fazer?” ): compor uma crônica ou uma notícia de jornal a partir de um fato presenciado inusitado e interessante ou que possa ser transformado literariamente como uma narração interessante. Por exemplo, o aluno viu o cachorro da escola pegar a bola que lhe veio à boca e correr. E então escreveu a seguinte pequena crônica:
         Olá a todos! Hoje vi algo muito interessante, e vou contar a vocês...
            Rex é o cão da escola. Estava deitado no cimentado sossegado. Na quadra um garoto chutou a bola e ela desviou torta e veio parar junto... ao... Au-au. Rex é um canzarrão manso mas pelo tamanho é de se temer. Pegou a bola. Os meninos vinham em sua direção. Rex correu. Eles correram atrás de Rex.
            Vem Rex!
         Rex é bem grande. Quem pega Rex?
         Quem tira a bola da boca do Rex?
 *
III) conteúdos atitudinais ( “Como se deve ser?”): liberdade de expressão e interpretação, respeito aos pontos de vista diferentes quando reunidos em grupos para preparação de apresentação oral de jograis construídos a partir de textos escolhidos. Respeito aos colegas que proferem a leitura da crônica escolhida.

4) Conclusão: Em quatro horas de aula intensiva e em duas aulas espera-se que os alunos suem bastante e absorvam sobre o que seja crônica e o que seja notícia de jornal ou texto jornalístico.

Bibliografia:

1. NORBERTO, Natalício. "Jornalismo para principiantes". Rio de Janeiro, Ediouro - Ed. Tecnoprint, 1978.
2. TAKAHASHI, Jiro. "Para gostar de ler, volumes 1-2-3-4 - Crônicas de Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga. São Paulo, Ática, 1981.